Corra forte, dentro dos limites A individualidade biológica faz o tempo de recuperação tornar-se diferenciado entre as pessoas, mas o reconhecimento das características particulares permitirá uma restauração segura para a grande maioria dos maratonistas. Participo de corridas de rua há muitos anos e não posso deixar de perceber algumas situações que sempre me chamam muita atenção nas provas. Exagero, falta de senso crítico ou talvez despreparo, é o que me desperta momentos de perplexidade. Está se tornando muito freqüente corredores chegarem ao final da prova extremamente exaustos, chegando ao ponto de desmaiar. Em uma edição da prova dos Bombeiros/Corpore, de 10 km, um rapaz de cerca de 38 anos estava se esforçando tanto no último quilômetro que comecei a observá-lo com mais atenção. Eu estava correndo no mesmo ritmo e cheguei a lhe dizer que a sua saúde valia mais que o tempo feito na prova. Naturalmente, ele nem se importou. Acelerou nos 300 metros finais e, após ultrapassar a linha de chegada, desmoronou no chão. Felizmente sobreviveu, pelo menos nessa vez. Este é apenas um relato mais recente; poderia citar dezenas de situações que presenciei, de corredores que ultrapassaram ou chegaram muito próximo de seus limites toleráveis. Naquele dia, comentei com um corredor amigo meu que essa intensidade de esforço não deveria verificar-se entre corredores não profissionais. Acredito mesmo que alguns corredores chegam a esse ponto quando a mente tem mais força que o próprio organismo. O desejo de alcançar um desafio é tão grande que o limite do organismo é superado. Nós, corredores, devemos ter bom senso e avaliar o risco que esses esforços fora de propósito podem ocasionar: lesões musculares, desmaios, tonturas, até mesmo infarto. Precisamos deixar de lado imagens de atletas se esforçando ao máximo, como a da maratonista que chega cambaleando no final da prova, ou do triatleta se arrastando ao final do Iron Man. No meu ponto de vista, essas não são imagens bonitas, embora mostrem o aspecto da determinação e perseverança de um atleta. O que devemos mostrar como exemplo são os atletas batendo recordes e chegando inteiros. Essas imagens são mostradas em competições onde os atletas estão bem preparados, como pan-americanos, olimpíadas, entre outras provas. Pudemos ver atletas batendo marcas sem desmaiar ou cambalear. Estes sim são atletas preparados para o esforço, estão bem treinados e conscientes de sua capacidade. Paul Tergat, atleta mundialmente famoso, bateu o recorde dos 10 km, e nem ofegante estava. Nós, corredores de lazer e saúde, se estivermos bem preparados e cientes do nosso potencial, nunca passaremos por riscos desnecessários ao nosso organismo. Então, você que está começando a correr, tome como exemplo aquele brasileiro da cidade de Descoberto, Minas Gerais, Ronaldo da Costa, que atingiu o melhor tempo na Maratona e, para comemorar, deu umas piruetas e sambou. Isso é para vermos que, quando se está preparado, até sobra um pouco. Cada corredor está apto para o desempenho que almeja e para o qual está treinado. Se tiver de correr bem irá sem problemas, correrá forte e suportará o esforço. Quanto aos que ultrapassam os limites do bom senso, devemos orientá-los a se prepararem melhor, pois, como já mencionamos, os recordes são batidos e ninguém desmaia. Pelo contrário, comemora.
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