Sou um puro-sangue?

Que diferenças separam pessoas que fazem essencialmente a mesma atividade física e muitas vezes chegam a resultados tão diferentes? Os nossos genes são o fator fundamental para essa resposta.

Todos aqueles que iniciam um programa de treinamento, seja para a boa forma física ou para uma corrida de São Silvestre, têm curiosidade em saber se será fácil, difícil, se vão se sair melhor que fulano de tal ou, até mesmo, se poderão ganhar a competição.

Muitas vezes, nem o próprio treinador poderá responder de imediato. Embora todos os treinadores sejam otimistas, sempre estão preparados para surpresas. Afinal, tudo é possível.

Mas a realidade, na maioria das vezes, nos deixa bem distantes do desempenho de alguns atletas ou “corredores quase atletas”. Por que, se treinamos quase como eles?

Podemos dizer que existem vários tipos de atletas: aqueles profissionais que conhecemos pelos jornais e por quem torcemos, pois representam a nossa cidade, estado ou nação; aqueles que não são profissionais mas treinam na mesma intensidade; aqueles que procuram desempenhos para se superar, sem que se preocupem com os adversários; e, finalmente, os que praticam a atividade pensando na saúde mas procuram participar de corridas de rua para manter-se motivados.

Mas quais são as diferenças que separam essas pessoas que fazem essencialmente a mesma atividade física e muitas vezes chegam a resultados tão diferentes?

Os nossos genes são o fator fundamental para essa resposta. Ao nascer, recebemos a herança genética de nossos pais, e ela vai determinar o nosso biótipo, que dificilmente (ao menos por enquanto) poderemos mudar. Esse é o fator determinante, sem ele não se faz um campeão. Por isso são raros os atletas como Pelé, Michael Jordan, Carl Lewis e João do Pulo, entre outros fenômenos que conhecemos. A combinação entre a genética e a vontade de fazer exatamente aquele esporte que vai proporcionar um alto rendimento não é fácil. Pense: se Pelé tivesse nascido no Quênia, ele seria jogador de futebol ou correria? E se corresse, seria um recordista? Pode ser que não, pois as características de um jogador de futebol merecem talentos diferentes, comparados aos de um corredor. Por isso Pelé com certeza seria um grande atleta, mas não necessariamente um recordista mundial. Imagine, portanto, como é raro um atleta geneticamente privilegiado tornar-se uma estrela, pois até o esporte a ser praticado deve ser escolhido corretamente.

Mas este não é um motivo para desanimar. Afinal, você pode não ter nascido com os genes de um campeão, mas poderá completar em boas condições uma maratona.

Podemos recomendar para quem está começando a correr, e deseja no futuro correr uma maratona, um Iron Man do Havaí ou uma ultra-maratona. Não pense que essas provas de longa distância estarão sempre fora de seu alcance. É provável que, se você tiver um pouquinho de “jeito para a coisa”, precisará de apenas um pouco de paciência para treinar degrau por degrau e desenvolver as características necessárias para concluir essas provas, o que um bom treinamento certamente propiciará. É preciso também uma boa dose de disciplina, determinação e força de vontade, para suportar o longo treinamento e garantir a conclusão segura e íntegra do percurso estabelecido para esse desafio pessoal.

É importante deixar claro que não são desafios fáceis de alcançar em curto prazo, mas, depois de estabelecermos algumas dessas provas como meta, teremos meios de, cedo ou tarde, alcançar nossos objetivos. O mais importante é realmente “não ir com tanta sede ao pote”: o condicionamento tem de criar bases sólidas, algo que só o tempo proporcionará.